quinta-feira, setembro 01, 2005

Autárquicas

Mais linear foi o debate com que a SIC Notícias me presenteou ontem à noite. Estava eu já naquela fase do “estou cansado mas ainda não me vou deitar” quando me apercebo do debate entre três dos candidatos à autarquia de Amarante. “Espera aí, deixa pôr isto mais alto”. Acabavam de me ser apresentados o actual presidente da câmara, já com 10 anos “de casa”, protótipo do autarca PS; um candidato do PSD, engenheiro de formação, gravata cor-de-laranja e pose de académico; e quem mais senão esse vulto da nossa promissora democracia, o incontornável Avelino Ferreira Torres (“Dr. Avelino, se trata os outros pelos títulos, porque eu nunca disse isto, mas sou licenciado! Portanto, se os outros são engenheiros e doutores, a mim também tem de tratar por Dr.”). Senti-me a rever o Benfica - Gil Vicente (por acaso não o cheguei a ver propriamente, mas só de o imaginar parece-me que lá estive).
Queria começar por esclarecer que passei poucas vezes por Amarante e que nada tenho contra cidade. Passei lá aliás umas férias bastante agradáveis, entre idas ao rio e saídas à noite; churrascadas e aquaparques; viola e conversas metafísicas. Mas a partir de ontem tenho dado por mim a agradecer o facto de não ser, hoje, Amarantino.

A questão não é fácil, o actual presidente não conseguiu explicar porque não fez, o candidato do PSD porque é que tinha um construtor civil a apoiá-lo e impotente para conseguir replicar aos insultos de Avelino (que o insultou repetidamente). Avelino, claro, esteve em grande. Retive apenas pequenos flashes, o “eu é que sei construir estradas, porque não sou homem de gabinete e estamos no século XXI”; o “uso helicópteros porque a minha candidatura tem dinheiro para isso e aproveita para fazer publicidade à empresa que os aluga” (isto por acaso é legal, pergunto eu?); e um arrasador “eu estou aqui numa pose de elegância, tenha educação” (isto aos gritos, claro).
Até me pareceu a mim que o actual presidente seria o menos mau (sim, o tal que não fez e não explicou sequer porquê!!!). Eu sei que, vindo da Figueira e a morar em Lisboa, não me posso propriamente rir de ninguém (ainda hoje estremeço quando me lembro de Carlos Beja a exclamar “xor Doutor!”, ou me recordo da profundidade do raciocínio de Santana Lopes, ou mesmo do super-vereador) mas creio que conviver com este personagens me desarranjaria de sobremaneira.
Numa coisa concordei com Avelino (desculpe lá, esta foi sem Dr.), aquilo devia ter sido transmitido num canal generalista. E em horário nobre.

Mais logo temos o debate de Gondomar. A não perder.
Lx

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