terça-feira, maio 24, 2005

“Porque citam leis, não vêem que trazemos espadas na mão?”



A grande confusão está novamente instalada.
Mais uma vez voltámos a ter um relatório independente que aferiu a dimensão da diferença entre as receitas e as despesas do Estado.
Mais uma vez esta diferença pende em larga medida para o lado da despesa. Larga medida porque não são 6,83% das receitas do Estado. São mesmo do PIB Português.
Mais uma vez se instalou o discurso do “Acudam-me!”. Que não temos dinheiro que suporte a actual dimensão do Estado. Dimensão do Estado essa que é feita de funcionários públicos, ministérios e secretarias de estado, de pensionistas (devido a baixos rendimentos, velhice, invalidez, ou trabalho agrícola), de investimento público (central, regional e autárquico), de reformados, de autarquias, de polícias, das forças militares, do sistema de justiça, do SNS, dos serviços florestais, dos transportes públicos, das estradas, das auto-estradas, de imprensa, do sistema educativo, etç, etç... e de políticos, que gerem o património público. Que gerem.
Para início de conversa proponho o choque ao choque. Todos os anos o Banco de Portugal lança o relatório que analisa o orçamento de Estado, a execução orçamental recente e as previsões para o futuro (para a economia mundial, portuguesa e para as receitas e despesas estatais). Todos os anos recebemos diversas estimativas macroeconómicas, quer do FMI, da OCDE, do Banco Mundial, do Eurostat. Somos um país relativamente conhecido e como tal analisado pela imprensa internacional mais ou menos séria, mas aonde se incluem análises económicas e políticas com alguma honestidade intelectual (Financial Times, Economist, ou até mesmo o El País).
De onde vem o choque, a estupefacção?
Nos últimos 6 anos (ou mais) vejo sempre os mesmo economistas ou fiscalistas, comentadores, análises e propostas (Miguel Beleza, Silva Lopes, Sérgio Figueiredo, Vítor Constâncio, Teodora Cardoso, Medina Carreira, Saldanha Sanchez; Teresa de Sousa, Nicolau Santos; redução da estrutura da despesa, combate à fraude fiscal através do fim do sigilo bancário, reestruturação do funcionalismo público através da diminuição de quadros excedentários e do fim do excesso de nomeações políticas para órgãos que envolvem sobretudo competência técnica; etç, etç).
E agora está tudo chocado com a dimensão do défice? Chocado estou eu, com o choque dos outros... sobretudo porque, alguns, não têm qualquer desculpa para estarem chocados. Até por formação, nem desculpa têm para confundirem conceitos. Pelo menos estes. E parece-me a mim que estiveram de alguma forma relacionados com as últimas opções políticas...
Agora que nos anestesiaram, o que vão fazer? Espero que algo, isto não é suposto ser um manifesto à continuidade da desgraça...


PS- a frase do título é (foi) de Pompeu.
Lx

2 Comments:

Blogger Jaf said...

O título, qual título? O título, qual título?...Orçamento de estado e Pompeu... o que tu não fazes para não escrever sobre Sporting!!!

1:59 da tarde  
Blogger Jq said...

Ainda estou a trabalhar nisso. Faltam as fotos. Talvez amanhã. E, já agora, também gostei muito da vossa despedida...

2:37 da tarde  

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