segunda-feira, janeiro 02, 2006

A Amostra

Aqui vai um à Jorge Fiel.
Ando aqui a tentar arranjar uma forma escrever sobre coisas das quais não tenho a certeza. Nestas coisas, não há nada como ver um mau exemplo e segui-lo tranquilamente.

Não vi todos os debates presidenciais, mas apetece-me falar sobre eles no geral. Sobre posturas, estratégias e possíveis influencias no resultado final. Está mal, visto que alvitrar assim bitaitada é daquelas coisas que me andam a desarranjar sempre que tropeço em títulos de jornal estapafúrdios. No entanto, não hoje, mas acho que ainda o vou fazer (isso e arrumar o quarto... ai!).

Claro que muitas vezes penso que devo relaxar. Sobretudo quando vejo o editor de política da SIC virar-se para o candidato presidencial mais bem colocado nas sondagens, em pleno debate televisivo, e questioná-lo sobre o exemplo da Califórnia no que à integração de imigrantes diz respeito. Segundo ele (embora não saiba, acredito) essa é uma das razões do sucesso deste Estado Americano.
Vai daí, “Comente lá Sr. Professor, se esse exemplo (...) patati paratátátá (...) quando 26% da população da Califórnia é imigrante e nas maiores cidades se fala mais o Espanhol que o Americano.” Enrola e fuma que é para aprenderes!
(Esta não foi propriamente uma citação exacta, à Mário Crespo, não a confirmei palavra por palavra, mas desde que a ouvi a cores lá no meu sofá que a guardo junto da restante tralha mental).

Já sexta-feira, o Expresso adopta uma curiosa postura jornalística sobre tratamento estatístico de dados em sondagens.
Têm sido originais os títulos de jornal baseados em sondagens. Há pouco tempo, uma única mereceu, no mesmo dia, três manchetes “diárias” bastante distintas. Até aqui nada de novo.
Mas depois de ler a
ficha técnica da sondagem destacada na edição 1731, fico um bocado perplexo com a facilidade com que se geram conclusões. Um enorme bocado. Um em dez são daqueles... e 27% já desmanchou...

Precisei de dizer disto tudo para não me sentir tão mal a dizer bem de um filme que ainda não vi, de um realizador que não conheço.
Muito provavelmente, depois de o ver, vou-me arrepender. Este pessoal muito voluntarioso, com vontade de demonstrar as injustiças que de facto lixam mais de meio mundo, normalmente incorre em imprecisões, facciosismos.
Até porque é de uma obra de arte do que se trata, ninguém tem o direito de impor ao autor limites, ou diferentes critérios ou ideias. Mas se calhar foi essa a linha ultrapassada no "Fahrenheit 9/11"; já todos sabíamos a posição do senhor, relativizou-se até o puro e duro.
Não vi o filme, não vale nada o meu comentário. Mas a simplicidade como a questão foi colocada já valeu este post:
Não podemos tirar comida a quem tem fome para a pôr nos nossos supermercados”.
A
entrevista.

Lx

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