quinta-feira, julho 21, 2005

“Não está jogando com’é gosto”

E se de repente “sobra terreno” (se “faltam pernas”), isso será, com certeza, “final d’época”.
É verdade, um dos momentos de felicidade que cada semana (ou quase) me reserva está relacionado com a incomparável prática do “desporto-rei”. Num pavilhão a cinco minutos da minha incompetência diária são realizados, às quintas, verdadeiros épicos de pé em riste, com direito a (des)organização técnico-táctica, tabelinhas que culminam com o isolamento do jogador “na cara do golo”, dissertações não de um, mas de vários “misters”, antes, durante e depois do jogo e cargas de ombro repletas de dinâmica, porque a bola é redonda e à meia-volta o remate sai cruzado.
Ora, nestas soirées existem convivas para todos os gostos: desde a juventude à veterania, do tecnicismo ao poder de choque, dos virtuosos aos limitados, dos inexcedíveis aos calões.
Acontece que, na semana passada, levei (ou melhor, a equipa em que joguei levou) uma verdadeira abada. Um “tareão”. E pensam vocês, “este está armado em vítima lá porque falhou umas bolas”. Ao que eu respondo “1-7”.
Mas a desgraça não se ficou por aqui. Na habitual “conferência de imprensa conjunta onde se disseca o resultado” (balneário) – que já deu origem à tese do “se ficou 6-5 e a equipa de seis jogadores é que marcou 6 golos, então foi empate per capita” – os comentários à minha prestação individual foram desde “pálida sombra de outros jogos” (imaginem, eu, pálido!) ao “não estava claramente nos seus dias”; com direito até à passagem pelo dilacerante “há jogos assim...”.
Ainda mais péssimo foi que dois dos indivíduos responsáveis pelo rescaldo são um que nunca o vi defender (“eu agora jogo à frente, está bem?”) e outro que não consegue fazer um passe de metro e meio sem ser “de bico” (“é pá, desculpe lá, às vezes pego mal na bola”).
Espero que seja apenas mais uma manifestação do final da época, mais uma boa desculpa para pensar “se calhar, já ia de férias”. Pelo sim pelo não (se a entidade patronal não invocar trabalho específico no “ginásio”...), hoje só me resta recorrer a uma atitude “à Mourinho”, “use the force”!
Lx

PS – o título provém do saudoso comentário deste senhor a um jogador que então orientava

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