quarta-feira, novembro 23, 2005

Cabeças no ar

É muito complicado dizer-se em voz alta que este é um país pobre de espírito, sem nos caírem em cima todos e mais alguns, aos gritos desalmados e em uníssono “Somos os melhores do Mundo!”.Mas ainda ninguém leu estudo nenhum, nem tem uma ideia clara do que quer para a intervenção do Estado no apoio ao desenvolvimento do país, do que é que será então melhor fazer para dar a volta ao tão propalado défice (que por acaso até são défices), e já está tudo com umas certezas comoventes em relação à necessidade ou não do novo aeroporto.
E eu já estou farto de ouvir falar da porcaria das pistas de aterragem, dos hangares, dos centros ibéricos e de camandros afins.

Não é boa ideia estar farto quando se trata de perceber se me vão continuar a ir ao bolso, de forma leviana, a aumentarem taxas, impostos directos e indirectos, a venderem o que não devem e a quem não devem. Por isso vou deixar aqui a laracha habitual. Tenho dúvidas, e antes que continuem com as gritarias, podiam era esclarecer-me.

Quanto custa o aeroporto?

Qual é a parte financiada pela União Europeia?

Porque é que há apenas alguns anos o João Soares era o único a favor da manutenção do antigo aeroporto e agora, qualquer Luís Delgado de vão de escada, já vomita que isto é um erro?
(É que as Finanças Públicas não pioraram assim tanto, já estavam mal).

É só para copiar a estratégia (que tão bons resultados deu...) seguida com a Expo98, e o campeonato da Europa de futebol e a ponte Vasco da Gama, de se conseguirem ganhos de especulação imobiliária (apenas ao alcance de muito poucos), com um contributo artificial e insustentável sobre o aumento do PIB português?

Inviabiliza, por sugar excessivos esforços e verbas públicas, outro tipo de apostas/programas/estratégias como a melhoria do sistema de ensino público ou um plano tecnológico (que também ninguém ainda concretizou)?

Quem fez a $#%&= dos estudos é quem vai financiar o projecto?

Quem são, afinal, os donos da porcaria dos terrenos que, qualquer dia, até o emplastro e o Abrunhosa já os tinham comprado em 1997?

E os estudos? Que conclusões é que afinal têm? Em que parâmetros é que basearam? Previram quebras de tráfego devido ao “clima” económico de recessão? E possíveis aumentos? Que impacto é que isto pode ou não ter no turismo?

O aeroporto da Portela? Sempre se vai eclipsar no meio dos prédios, dos triliões de passageiros que vêem para aí em 2025 com a consequente ruína para imagem de Portugal no estrangeiro, para a Nossa Senhora de Fátima e o Euromilhões?

A Ota só é um mau local para os autarcas dos outros locais entretanto excluídos? E pode ser alargado mais tarde?

Estas são, por agora, as dúvidas que me assaltam. Se em vez do chinfrim, pobre de espírito (na minha humilde opinião), me conseguirem esclarecer; talvez nos seja possível, enquanto civilização, tomar uma decisão.
Boa, má, mais ou menos, o tempo o dirá. Mas em consciência, em menos tempo e sem esta fútil auto-flagelação de quem não sabe o que raio quer da vida.
Eu cá já disse, não sei. E quase que já não quero saber.
Lx

PS – Parece-me que talvez ande um pouco brusco.

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