terça-feira, maio 03, 2005

"love and loyalty to my people have guided all my thoughts, actions and my life"



Der Untergang” é o retrato possível dos últimos dias de Hitler. Feito por alemães, creio que a principal crueldade exposta no filme é a humanização de uma das personagens mais horripilantes da história mais recente, assim como dos que o rodeavam.
Esse era, aliás, um dos principais objectivos dos realizador "Ele era um ser humano e a pior coisa que pode acontecer a um homem perverso como ele é que se torne um mito, o que de facto aconteceu nas últimas décadas" (...) "Se aceitarmos que ele era um ser humano, temos também que reconhecer que alguma dessa maldade existe dentro de todos nós".

O filme desperta sentimentos desconfortáveis, desde os mais íntimos como as traições pessoais, o egocentrismo, a cegueira constrangedora exposta perante tudo e todos, o orgulho e as ambições desmesuradas; aos mais “políticos” (que suportaram a ideologia Nazi, sufragada antes de estabelecida sob a forma de regime totalitarista) que vão desde o anti-semitismo primário, ao
orgulho da pureza rácica ariana, à obediência cega a um líder nato, à disciplina estapafúrdia em tempo de guerra (condecorações e enforcamentos a civis por deserção, já depois do suicídio do Chanceler e da fuga de oficiais SS), à necessidade de lideranças fortes em períodos conturbados no esfera económico-social.

Sempre gostei de história, não por ser chata ou supostamente erudita, mas porque constantemente nos retira argumentos que sustentam teses estapafúrdias. Essa é outra das vantagens deste filme. Ultimamente tenho ouvido expressões como "a ameaça asiática", "a
deslocalização para o Leste", "a importação da criminalidade", "o eixo do mal", com uma leviandade que humildemente me parece preocupante. Em “Der Untergang” também se demonstra que existe uma substancial diferença entre a sinceridade e a pureza de sentimentos. Hitler foi demagogo, populista (e eleito), mas até cair conseguiu arrastar muitos consigo numa espiral de baixas de guerra, suicídios e até infanticídios.

A foto não é de Berlim (onde se desenrola o filme) mas de Auschwitz, onde o seu testamento político mais se fez sentir.

PS - não resisto a propor uma última reflexão, que me ocorreu por diversas vezes, em especial nos momentos de humor negro do filme: depois da "Paixão de Cristo" e da "A Queda" do Hitler, para quando "As facadas no Lopes"? Lx

2 Comments:

Blogger Jaf said...

Meter o Hitler, Cristo e o Santana Lopes na mesma frase?!
Estou a ver que andas a aprender com o Freitas...tás aqui, tás no governo...

12:08 da tarde  
Blogger Jq said...

Vejo que a direita mais reaccionária ainda não conseguiu digerir devidamente o resultado das últimas legislativas...

2:56 da tarde  

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