segunda-feira, maio 09, 2005

Quem fala assim...não é Gago...

Esta é, quanto a mim, uma das declarações mais felizes proferidas por um ministro nos últimos anos...

Embora Portugal tenha uma taxa muito baixa de trabalhadores com formação superior, não se pode elevar essa taxa a qualquer preço e sem um mínimo de critério. Se as universidades ficarem às moscas, que assim seja, pois poder-se-ão então revelar as insuficiências do ensino secundário, num efeito bola de neve. Por outro lado, tem de haver um levantamento exaustivo e rigoroso do tipo de licenciados que o país necessita, reduzir vagas onde existe excesso de oferta, incentivar os cursos que têm procura.

No entanto, penso que para haver um equilíbrio, tem de se ressuscitar o ensino técnico profissional, do tipo escola industrial. Se já é um lugar comum dizer-se que não se encontra um carpinteiro de jeito lá para casa, paralelamente na indústria nos próximos anos vai haver um défice de electricistas, mecânicos, técnicos de electrónica, de hidráulica, etc, com formação sólida. E não se pense que se supre esta situação com mais engenheiros, etc...pois é um tipo de formação prática que quanto mais cedo começar melhor, assim como a vida profissional que deve começar o quanto antes, já que o grau de experência de um profissional destes talvez se meça em décadas e não em anos. Em países mais desenvolvidos estas profissões são extremamente bem pagas, a sua importância é reconhecida, mas a exigência a nível da qualidade do desempenho também é elevada. É preciso chamar pessoas para este tipo de saídas, ao invés de as afunilar à entrada do ensino superior.

Diz-se às vezes, por exagero, que qualquer dia temos licenciados a varrer as ruas, etc...o que se calhar é problemático é que, nesse caso, teríamos ruas muito mal limpas...

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