quinta-feira, janeiro 26, 2006

“Quem trepa no coqueiro é o Rei”

E o homem lá ganhou isto (o Presidente Cavaco).
Talvez este tenha sido o melhor resultado, do ponto de vista esquerdalho, se se considerar que o Cavaco (o Presidente Cavaco) ganharia sempre uma segunda volta.

Domingo foi um dia aziago. Estava a discutir as funções do presidente com a progenitora, com base na Constituição. Naquilo que está, de facto, escrito; do que o homem pode fazer (nomeações e afins). Foi agitado o fantasma do déspota nestas eleições, de repente assustei-me com essa perspectiva; a última palavra, agora, é sempre a do Cavaco (a do Presidente Cavaco). E são ainda várias palavras.

Mesmo depois de me ter apercebido do que é o sistema eleitoral português, onde não falta apenas o voto electrónico (que permitiria a um eleitor votar em qualquer mesa), passa até por não ter uma base de dados central de todo o eleitorado (estando a certificação/validação dos resultados assegurada sobretudo pelos membros das mesas de voto afectos às candidaturas em causa, sejam elas presidenciais ou outras – com os cadernos eleitorais na posse dessas míticas figuras que são os “Presidentes da Junta”); tinha a esperança (quase convicção) de uma votação mais preenchidota. Já percebi.

Pensava que 10 anos com o mesmo tipo a Presidente impunham algum respeito/consideração pela personagem, e que existiria alguma preocupação acerca da sua substituição. Sensação que aparenta estar errada.

Tenho cá para mim que o Jorge Pá era um tipo porreiro para ser presidente. Quando penso no mandato que vai acabar a 9 de Março, lembro-me da deslocação sem imprensa a quartéis de bombeiros num dos já habituais Verões ardentes, do aviso ao actual Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados – o Sr. Vara tinha de ser posto a andar porque isto afinal não era bem assim; mas também de silêncios manifestamente evitáveis em relação ao Alberto João. Esta e uma data de outras coisas podem não ter resolvido nada, mas ainda acredito que algumas deram algum jeito.
Até quando a esquerdice clamava “Banananolas!” por não ter posto o Santana a andar por aí mais cedo, ele pareceu-me, à sua forma, pedagógico; lá nos fez ver que aquele hábito tão Português de confundir o respeito pelas regras com a ausência de coragem é só mais umas daquelas coisas em que gostamos de acreditar, quando nos dá jeito.

Pretende-se que este tal de Presidente (Cavaco) seja a imagem disto a que chamamos País, quem nos representa, quem tem o poder de ser ouvido sempre que o desejar. O Jorge Pá tinha discursos chatos que ninguém ouvia, mas por mais de uma vez ouvi os que não ouviam queixarem-se, “Porque não eles não fazem nada, não falam do que é preciso!”.
Chegados ao dilema “não queremos ouvir, mas queremos que falem; não queremos saber, mas queremos que alguém nos diga”; não soa assim tão desafinada a vitória de quem nada diz, de quem tem um perfil supostamente sério, determinado e trabalhador. Enquanto civilização, estávamos a pedi-las, ainda que o senhor (Presidente Cavaco) não ganhe só por isso.
O tipo (o Presidente Cavaco) nem um discurso de vitória soube articular. Espero que o seu desempenho a Presidente da República me soe melhor que a expressão Presidente Cavaco, Aníbal, que ainda não me habituei. Que este seja apenas um daqueles sons enganadores (não tenho nenhum contrato com a marca, só meti isto porque lhe achei piada – demora um bocado a carregar).
Lx

PS(D) – Imagem gamada na net, mas creio que a origem da mesma é o “Expresso”.
O título.

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